Ganhos de Cinemática

Camber gain, Bump steer, Roll steer, Track width change, Caster change

Quando o veículo está na pista, a suspensão trabalha constantemente passando por processos de compressão, o bump, e retorno, o rebound, além de inclinar-se lateralmente durante as curvas, o roll. Esses movimentos alteram de forma contínua os ângulos das rodas. Na engenharia de chassi, chamamos essas variações de ganhos cinemáticos. Compreender como cada um ocorre e como a posição física dos braços e bandejas define essas mudanças é o segredo para calibrar um comportamento dinâmico previsível.

Camber Gain

O ganho de cambagem é a variação do ângulo de cambagem à medida que a roda se move verticalmente no curso de compressão. O objetivo principal é fazer com que a roda ganhe cambagem negativa quando a suspensão comprime, compensando a rolagem da carroceria na curva para manter o pneu plano em relação ao asfalto.

Em suspensões duplo A, esse ganho é determinado pela diferença de comprimento e pelo ângulo de montagem entre a bandeja superior e a bandeja inferior. Se a bandeja superior for mais curta que a inferior, o topo da manga de eixo é puxado para dentro mais rapidamente do que a base quando a suspensão sobe, gerando ganho de cambagem negativa sob compressão.

Se as bandejas forem paralelas e de comprimentos idênticos, o ganho de cambagem dinâmica será nulo e a roda subirá de forma vertical, o que gera perda de contato do pneu quando a carroceria rola.

Bump Steer

O bump steer ocorre quando a roda esterça e muda o ângulo de convergência ou divergência (TOE IN/TOE OUT) de forma involuntária apenas pelo movimento vertical de compressão ou retorno da suspensão, sem que o piloto tenha movido o volante.

Fisicamente, o terminal de direção e a barra de direção descrevem um arco de movimento vertical, enquanto as bandejas da suspensão descrevem outro. Se esses arcos não forem compatíveis, a barra de direção empurra ou puxa a manga de eixo durante o curso, forçando a roda a esterçar. Se o braço de direção estiver desalinhado verticalmente, muito elevado ou baixo em relação às bandejas, o arco da direção será desalinhado com o da suspensão, gerando esterçamento sob ondulações.

Para minimizar o bump steer, a linha imaginária da barra de direção deve apontar diretamente para o centro instantâneo de rotação formado pelas bandejas superior e inferior, e o seu comprimento deve ser proporcional ao das bandejas.

A variação de bitola refere-se ao deslocamento lateral do ponto de contato do pneu para dentro ou para fora em relação à linha central do carro durante o curso de suspensão. Quando as bandejas se movem para cima e para baixo, elas descrevem um arco circular em torno de seus pivôs no chassi. Esse movimento em arco empurra a roda ligeiramente para fora e depois a puxa de volta para dentro. Se os braços de suspensão forem curtos, o raio do arco descrito pela roda será pequeno, causando grandes variações de bitola ao longo do curso de trabalho. Esse deslocamento lateral gera arrasto mecânico no pneu, o scrub, reduzindo a velocidade em retas com ondulações e gerando instabilidade física. Braços de suspensão mais longos minimizam essa variação dinâmica.

O caster também varia conforme a suspensão sobe ou desce, alterando a estabilidade direcional sob frenagens fortes. Esse ganho de caster com o curso ocorre quando o ponto de fixação da bandeja superior e o da inferior estão desalinhados longitudinalmente ou possuem inclinações de pivô assimétricas. Se a bandeja superior tiver uma inclinação traseira mais acentuada que a inferior, a compressão da suspensão joga o pino mestre ainda mais para trás, aumentando o caster sob frenagem e melhorando o feedback do volante no início de curva. Se os eixos de rotação das bandejas forem horizontais e paralelos ao plano do chassi, o caster permanece constante durante todo o curso vertical.

O roll steer é o esterçamento involuntário das rodas induzido pela inclinação lateral da carroceria em uma curva. Ele é crítico no eixo traseiro, pois dita se a traseira do carro ajudará a contornar a curva ou se tentará desestabilizar o veículo. Conforme a carroceria inclina, a suspensão de um lado comprime enquanto a do outro lado estende. Se os braços que fixam o eixo ao chassi tiverem inclinações assimétricas nesse movimento, o eixo inteiro ou as rodas de forma independente giram ligeiramente em relação ao plano horizontal do carro. Se os braços de controle traseiros estiverem angulados para cima em direção à frente do carro, a compressão da suspensão externa faz com que essa roda se desloque para trás, enquanto a roda interna estendida se desloca para frente, gerando estabilidade traseira. Se os braços apontarem para baixo em direção à frente, o movimento se inverte e a roda externa se desloca para frente na curva, deixando a traseira arisca.

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